Deni Lantz
(n. 1993, São Paulo, Brasil) vive e trabalha em São Paulo.
A pesquisa pictórica de Deni Lantz investiga ritmo, temporalidade e materialidade, evocando memórias e ecos de seu cotidiano. Radicado em São Paulo, sua prática é atravessada tanto pela vivência na cidade quanto pelo contato constante com a natureza desde a infância — experiência que informa sua compreensão do mundo. Para Lantz, a natureza não se apresenta como tema, mas como estrutura relacional e dinâmica.
É graduado em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ao longo de sua trajetória, realizou as exposições individuais Deni Lantz: Pinturas, na Galeria Estação, São Paulo (2022), reunindo cerca de 50 obras produzidas entre 2020 e 2022, e Keeping Time, na High Noon Gallery, Nova Iorque (2025), sua estreia individual nos Estados Unidos, com trabalhos desenvolvidos durante residência na Residency Unlimited (Brooklyn, NY), no verão de 2024.
Participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior, entre elas Alvorada, na Galeria Simões de Assis, Balneário Camboriú (2025); Ar Livre: paisagem contemporânea em Cidade Tiradentes, no Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo (2024); Let the World Come ‘Round?, na Teffia Gallery, Kingston, Nova Iorque (2022); Menos, na Casa de Tijolo, São Paulo (2014); Loja de (in)conveniências, na Galeria Mezanino, São Paulo (2013); Maré.01, na Unicamp, Campinas (2012); Retratos, o que não se vê e Quatro Quartos, ambas na Casa de Tijolo, São Paulo (2012); além de participações na Casa da Xiclet Galeria, em São Paulo, como o V Salão Rio Doce (2009), o V Salão da Casa da Xiclet (2008) e a 6a MERCOSECA – 2a edição (2007).
Realizou residências artísticas na Residency Unlimited, em Nova Iorque (2024), e no projeto Barrer todo con Agua, em Havana, Cuba (2016). Desenvolve também projetos como músico, sendo um dos fundadores do Samba da Paçoca, roda de samba que acontece mensalmente no bairro da Lapa (SP) desde 2016.
Deni Lantz
(b. 1993, São Paulo, Brazil) lives and works in São Paulo.
Deni Lantz’s painterly research investigates rhythm, temporality, and materiality, evoking memories and echoes of his daily life. Based in São Paulo, his practice is shaped both by urban experience and by an intense contact with nature since childhood — an experience that informs his understanding of the world. For Lantz, nature does not present itself as a theme, but as a relational and dynamic structure.
He holds a degree in Visual Arts from the Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Throughout his career, he has presented the solo exhibitions Deni Lantz: Pinturas, at Galeria Estação, São Paulo (2022), bringing together around 50 works produced between 2020 and 2022, and Keeping Time, at High Noon Gallery, New York (2025), his first solo exhibition in the United States, featuring works developed during a residency at Residency Unlimited (Brooklyn, NY), in the summer of 2024.
He has participated in group exhibitions in Brazil and abroad, including Alvorada, at Galeria Simões de Assis, Balneário Camboriú (2025); Ar Livre: paisagem contemporânea em Cidade Tiradentes, at Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo (2024); Let the World Come ‘Round?, at Teffia Gallery, Kingston, New York (2022); Menos, at Casa de Tijolo, São Paulo (2014); Loja de (in)conveniências, at Galeria Mezanino, São Paulo (2013); Maré.01, at Unicamp, Campinas (2012); Retratos, o que não se vê and Quatro Quartos, both at Casa de Tijolo, São Paulo (2012); as well as participation at Casa da Xiclet Galeria, São Paulo, including the V Salão Rio Doce (2009), the V Salão da Casa da Xiclet (2008), and the 6a MERCOSECA – 2a edição (2007).
He has undertaken artist residencies at Residency Unlimited, New York (2024), and at the project Barrer todo con Agua, in Havana, Cuba (2016). He also develops projects as a musician and is the founder of Samba da Paçoca, a samba circle that has taken place monthly in the Lapa neighborhood (São Paulo) since 2016.


Keeping Time, 2025 (solo exhibition) – High Noon Gallery, New York
Para Deni Lantz, ritmo e rotina são a forma do seu dia, da sua vida. Em São Paulo, em casa e com sua família, os ritmos cotidianos são familiares; durante sua permanência em Nova York, uma nova rotina tornou-se necessária. A curta caminhada do lugar onde estava hospedado até seu ateliê temporário, seguida de longas horas ali, combinadas com visitas a museus e galerias. Embora viva em um ambiente urbano no Brasil, ele passou muito tempo em contato com a natureza — sua mãe é conservacionista, seu pai veterinário — e essa experiência de viver em meio a uma floresta em crescimento, a complexidade da mudança contínua — cor, som, luz, movimento e cheiro — permaneceu central para sua experiência e concepção de mundo. A natureza não é, para Lantz, um tema de dissociação, como é para tantos habitantes das cidades; muito pelo contrário.
David Rhodes
For Deni Lantz, rhythm and routine shape his day, his life. In São Paulo, at home with his family, daily rhythms are familiar; during his time in New York, a new routine became necessary. The short walk from where he was staying to his temporary studio, followed by long hours there, combined with visits to museums and galleries. Although he lives in an urban environment in Brazil, he has spent much time in close contact with nature — his mother is a conservationist, his father a veterinarian — and this experience of living amid a growing forest, the complexity of continuous change — color, sound, light, movement, and smell — has remained central to his experience and conception of the world. For Lantz, nature is not a subject of dissociation, as it is for so many city dwellers; quite the contrary.
David Rhodes

Deni Lantz: Pinturas, 2022 (exhibition view) – Curadoria Ivo Mesquita – Galeria Estação, São Paulo.
(..) Uma cumbuca, entre outros apetrechos similares e diversos nas mesas do ateliê, de repente, destacava sobre o plano uma forma e suas sombras. A extensa série das Cumbucas, quase sempre em formatos quadrados, tinta e cera e trabalhadas com espátula e pincéis curtos e duros, liga o vazio entre representação e abstração por meio de uma simplificação de formas e cores tendendo ao monocromo, mas com intensidades diferentes que vão da transparência opaca, como nas aquarelas, até uma saturação do plano com sucessivas camadas de pintura e procedimentos que selam tudo abaixo na superfície texturada como um improviso musical. A individualidade de cada uma das imagens reside no amplo leque de atmosferas que desvelam: ásperas, oníricas, sujas, elegantes, irônicas, leves, profundas. Constituem-se como uma écriture: a pintura como um signo que fala da sua constituição material – forma, cor e gesto (escrita) – para a integração sintática da imagem como um todo. O que também pode ser percebido em outra série, Drink, onde uma ideia de copo marca limites entre gestos diversos com o pincel e a cor, flutuando entre abstração total de pinceladas e matéria e a sugestão visual de alguma coisa familiar ou recordada. Lantz não procura algo na pintura, mas em vez disso espera que algo seja encontrado lá.
Ivo Mesquita
A small bowl, among other similar and varied utensils on the studio tables, suddenly stood out on the surface as a form and its shadows. The extensive series Cumbucas, almost always in square formats, made with paint and wax and worked with palette knives and short, stiff brushes, bridges the void between representation and abstraction through a simplification of forms and colors tending toward the monochrome, yet with varying intensities that range from opaque transparency, as in watercolors, to a saturation of the plane with successive layers of paint and procedures that seal everything beneath into a textured surface like a musical improvisation. The individuality of each image lies in the wide range of atmospheres they reveal: rough, dreamlike, dirty, elegant, ironic, light, profound. They constitute an écriture: painting as a sign that speaks of its material constitution — form, color, and gesture (writing) — toward the syntactic integration of the image as a whole. This can also be perceived in another series, Drink, where an idea of a glass marks limits between diverse gestures with brush and color, hovering between the total abstraction of brushstrokes and matter and the visual suggestion of something familiar or remembered. Lantz does not search for something in painting; instead, he waits for something to be found there.
Ivo Mesquita
.
exposições individuais / solo exhibitions
2025 Keeping Time, High Noon Gallery, Nova Iorque – NY, EUA
2022 Deni Lantz : Pinturas, Galeria Estação, São Paulo – SP, Brasil
residências
2024 RU – Residency Unlimited, residência artística em Nova Iorque, Brooklyn, EUA
2016 ”Barrer todo con Agua”, residência artística e exposição em Havana, Cuba
.
exposições coletivas / group exhibitions
2025 Alvorada, Galeria Simões de Assis, Balneário Camboriú – SC, Brasil
2024 Ar Livre: paisagem contemporânea em Cidade Tiradentes, Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo – SP, Brasil
2022 Deixe o mundo dar a volta, Galeria Teffia, Kingston, Nova Iorque, EUA
2014 Menos, Casa de Tijolo, São Paulo – SP, Brasil
2013 Loja de (in)conveniências, Galeria Mezanino, São Paulo – SP, Brasil
2012 Maré.01, Gaia – Unicamp, Campinas – SP, Brasil
2012 Retratos, o que não se vê, Casa de Tijolo, São Paulo – SP, Brasil
2012 Quatro Quartos, Casa de Tijolo, São Paulo – SP, Brasil
2009 V Salão Rio Doce, Casa da Xiclet Galeria, São Paulo – SP, Brasil
2008 V Salão da Casa da Xiclet, Casa da Xiclet Galeria, São Paulo – SP, Brasil
2007 “6ª MERCOSECA – 2ª edição”, Casa da Xiclet Galeria, São Paulo – SP, Brasil